Essa lógica também vale para os baloeiros quanto ao uso de materiais perigosos. São Gonçalo é considerada a cidade em que a paixão pelos balões – quanto maiores e mais coloridos, mais belos são – está a flor da pele dos gonçalenses. Festivais com grande pompa são produzidos no município, como no bairro do Gradim. Todos os anos, o Batalhão de Polícia Florestal apreende material e bombeiros lutam para apagar o fogo em sítios, terrenos com mata fechada.

Vale lembrar que a Mata Atlântica tem apenas 5% da área original em razão do desmatamento. Não é preciso colocar as áreas verdes mais em risco (que são poucas em São Gonçalo) por conta dos balões que usam buchas inflamáveis. Apesar das festas juninas e julinas terem terminado, estamos em época de clima seco – a umidade relativa do ar caiu muito – e esse tempo favorece a propagação dos incêndios. Uma alternativa é a soltura de balões que são preenchidos com gás de cozinha. Tem gente que ainda vai mais além: em festivais profissionais verdadeiros, os baloeiros usam seda, papeis e fibras que são biodegradáveis. O risco de incendiar o telhado do vizinho, florestas estão descartadas. Pode-se brincar sem colocar o meio ambiente em perigo.
No caso das pipas, não existe alternativa. Resta a conscientização dos pais e a repressão para que as vendas do material cortante (cera + vidro) não seja usado nas linhas. Empiná-las deveria ser uma atividade prazerosa, mas nos céus azuis e límpidos desta primavera, o desafio continuará ser quem 'corta' e arrasta mais cafifas. É o mundo da competição dos adultos invadindo a diversão da criançada.