Brasil promove evento internacional para debater desenvolvimento social

Por André Carvalho, do MDS

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) organiza simpósio internacional para discutir meios de superar a pobreza e promover inclusão em tempos de crise econômica global.

Analisar os avanços e desafios encontrados por países em desenvolvimento na superação da pobreza e da desigualdade social, e também o papel que as nações vêm desempenhando para melhorar as condições de vida de suas populações. Este é o propósito do Simpósio Internacional Sobre Desenvolvimento Social, que acontece em Brasília (DF), nos dias 5, 6 e 7 de agosto. Organizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o evento contará com a presença de autoridades e especialistas nacionais e internacionais que debaterão o assunto no contexto da crise econômica mundial.

O formato do evento, que tem como tema “Políticas Sociais para o Desenvolvimento: Superar a Pobreza e Promover a Inclusão”, será o de painéis. Ao todo acontecerão seis, onde os convidados analisarão os modelos e políticas públicas colocadas em práticas em países da Europa, África, América Latina e Ásia para promover o desenvolvimento social.

No dia 5, às 17 horas, o Simpósio tem início com uma conferência magna que deve ter a participação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, dos ministros Patrus Ananias (MDS), Celso Amorim (Relações Exteriores), e da diretora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento para a América Latina (PNUD), Rebeca Grynspan. Às 19 horas, será realizada a conferência de abertura com o tema: “Desenvolvimento, Crescimento e Superação da Pobreza: Desafios Colocados pela Crise Internacional”.

No segundo dia, a programação prevê quatro painéis, que começam a partir das 8h30. No primeiro, “Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade Social frente à Crise”, o debate proposto é sobre os efeitos que o declínio de indicadores nutricionais, educacionais e de saúde podem causar ao longo da vida das pessoas, além dos impactos negativos entre gerações para uma inclusão social digna e significativa. Logo após, às 11h, no painel “Promover o Desenvolvimento Social no contexto da Crise: Desafios para o Estado e as Políticas Públicas”, os especialistas discutem se a melhor política é crescer economicamente para reduzir a pobreza ou implementar políticas dirigidas às necessidades dos mais pobres, ou ainda, ao invés de colocar crescimento econômico e proteção social em campos opostos, propor políticas sociais que estimulem a demanda interna, com efeitos multiplicadores.

Na parte da tarde, às 14h30, no terceiro painel “A Proteção e Promoção Social em Países em Desenvolvimento: Tendências e Novas Perspectivas Face à Crise”, os convidados tratam da questão sobre como as políticas sociais podem ampliar capacidades e gerar oportunidades em um contexto de crise. No último debate do dia, às 17h30, “Pobreza e Desigualdade em áreas Metropolitanas: Dimensões e Perspectivas para a Inclusão Social”, tem destaque as políticas de educação e de inclusão socioprodutiva, com relevância para a área de capacitação e qualificação profissional, como chaves para a redução da pobreza, promoção da igualdade e construção de sociedades includentes.

No último dia, a partir das 8h30, durante o painel “Experiências da Proteção e Promoção Social em Países em Desenvolvimento” serão apresentadas as diferentes práticas de estruturação das redes de proteção e promoção social, suas principais estratégias e desafios, buscando identificar semelhanças e inovações com os modelos tradicionais. Às 11h começará o último painel, “Perspectivas para a Proteção e Promoção Social no Mundo pós-Crise”, que examinará as expectativas dos sistemas de proteção e promoção social em uma conjuntura de crise econômica profunda, explorando as possibilidades de novos arranjos políticos, econômicos e institucionais que viabilizem a construção de novos patamares de bem estar e de sociedades mais solidárias, mais justas e menos desiguais.

O período da tarde, quando a programação começa às 15h, está reservado para a sessão especial intitulada “O Lugar do Estado e das Políticas Sociais para o Desenvolvimento”, onde os debatedores serão o ministro Patrus Ananias; o comissário do Emprego, dos Assuntos Sociais e da Igualdade de Oportunidades da União Européia, Vladimir Spidla; a comissária de Assuntos Sociais da União Africana, Bience Gawanas; e Carlos Lopes, diretor-executivo do Instituto das Organizações das Nações Unidas para Formação Profissional e Pesquisa (UNITAR). Às 16h30, está prevista a conferência de encerramento.

O público do simpósio é formado por representantes do Governo Federal e demais poderes da República, pesquisadores brasileiros e internacionais, representantes da sociedade civil organizada e convidados estrangeiros.

(Envolverde/Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)

São Gonçalo entrega 3 mil uniformes aos alunos do ProJovem

O secretário de Desenvolvimento Social de São Gonçalo, Adolpho Konder, entregou na última terça-feira, dia 9, os últimos 600 uniformes aos alunos do Projovem Urbano nas escolas municipais Marluci Dias, no bairro Trindade, e Pastor Aroldo Gomes, em Itaúna. No total, foram distribuídas 3 mil camisas para os estudantes que estão cursando o Ensino Fundamental. O programa é realizado entre o Governo Federal e a Prefeitura.

Para o segundo semestre a coordenadora do Projovem, Talita de Castro, pretende estender as aulas para centros culturais da cidade.

– O projeto ainda está em estudo, mas a nossa intenção é realizar atividades pedagógicas em pontos históricos do município – contou a coordenadora do programa.

Os estudantes que ainda não estão com o RioCard – uma conquista da Secretaria de Desenvolvimento Social do município para evitar a evasão escolar – podem solicitar o benefício no Terminal Rodoviário João Goulart, em Niterói. Os alunos também recebem bolsa auxílio de R$100 por mês.

Adolpho Konder afirmou que o maior desafio do município é qualificar os moradores da cidade para disputarem as vagas no Complexo Petroquímico da Petrobras, que será inaugurado em Itaboraí.

– Com a abertura da refinaria serão abertas 220 mil vagas diretas e indiretas. Somente as pessoas capacitadas terão a oportunidade de conseguir um emprego. E para isso precisarão do Ensino Fundamental completo – destacou o secretário.

O ProJovem Urbano atende a 3 mil alunos de 18 a 29 anos, em 16 núcleos da cidade. No curso, que tem duração de 18 meses, os estudantes concluem o Ensino Fundamental, aprendem Inglês e Informática, além de conhecimentos de Telemática, Vestuário, Alimentação ou Construção e Reparo.


Fonte: Assessoria de Comunicação Social SMDS.

São Gonçalo faz campanha de combate a violência contra o idoso

A Prefeitura de São Gonçalo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, organiza uma ação para marcar o Dia Nacional de Combate a Violência contra o Idoso. O objetivo é conscientizar a população sobre os direitos dos maiores de 60 anos. O tema da campanha deste ano é “Idoso: desrespeitar é crime”.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Social, Adolpho Konder, o foco é informar a população para garantir aos idosos a devida atenção que necessitam, além de mobilizar a sociedade e autoridades para combater a violência contra os maiores de 60 anos.

– Abordaremos este tema nos grupos de convivência dos CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) para que as famílias busquem apoio nos serviços da secretaria com o objetivo de minimizar as dificuldades de atenção com os idosos – ressaltou Konder.

Fonte: Assessoria de Comunicação SMDS

Corpus Christi terá tapetes de sal do PETI e da Secretaria de Desenvolvimento Social de SG

A Secretaria de Desenvolvimento Social de São Gonçalo vai participar da tradicional procissão de Corpus Christi nesta quinta-feira, dia 10. Entre os cerca de 230 tapetes de sal e serragem que formam a gigantesca cobertura pelas ruas da cidade – o maior tapete da América Latina – um deles será confeccionado pelas equipes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e do Programa Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), tendo a frente o próprio secretario Adolpho Konder. “Não poderíamos ficar de fora deste espetáculo de fé, amor a Deus e ao próximo”, disse Konder.

Fonte: Assessoria de Comunicação da SMDS.

A CRISE DO EMPREGO

1- Uma SEMANA de encontro na Conferência Anual da Organização Internacional do Trabalho me leva a pensar que estamos frente a uma enorme crise. A crise do emprego.

2- Concretamente não tem emprego para todos e isso gera um enorme problema sobretudo para os jovens. Se deixam de entrar na vida do trabalho durante a juventude dificilmente vão conseguir superar esta ausência e chegar a formalidade.

3- Começo a repensar a estratégia do primeiro emprego pois não é possível que jovens fiquem fora do mundo do trabalho para o resto de suas vidas. Nunca fui muito a favor desta proposta, mas vale avaliar.

4- Alguns governos aqui na reunião (em geral de paises muito pobres) fazem propostas de legislação trabalhista que nem a Noruega é capaz de cumprir.

5- O que queremos? Uma legislação trabalhista perfeita, mas que diminui o emprego ou uma Legislação Trabalhista possível para aumentar o nível do emprego?

6- Só em 2009 foram 50 milhões de empregos perdidos. Para estes desempregados uma sólida e perfeita legislação trabalhista adianta?

7- Não é um debate fácil, mas o custo dos encargos trabalhistas no Brasil impedem a criação de novos empregos. Não estou falando em perda de direitos, mas estou de fato preocupado com a criação de empregos. Uma política de empregabilidade responsável no Brasil e no mundo é urgente e não é caminhando em direção da utopia que isso será possível.

8- O emprego formal concretamente vive uma crise. E daqui de Genebra eu posso afirmar que o mundo não está sabendo resolver este problema.

9- A criação de novas legislações trabalhistas não ajuda a fortalecer uma política de empregabilidade. Não mesmo.

10- O maior direito deve ser ao emprego. E é concreto que estamos com um grave problema no mundo e no Brasil. Muita gente está perdendo o emprego e muita gente nem está conseguindo chegar lá.

11- Os debates são fundamentais. Debates sem dogmas. Debates que entendam que estamos em 2009 e não em 1949.

12- A crise é grave.

Fonte: Marcelo Garcia (Presidente CONGEMAS).

Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil

Junte-se a nós!

Você pode ajudar a combater o trabalho infantil. No dia 10/06 compareça no Vão Livre do MASP às 11 horas e procure pela equipe da Fundação Abrinq. Os 50 primeiros ganham uma camiseta e todos poderão participar da ação que consistirá na distribuição de balas pelos retrovisores dos automóveis, simulando a venda que já é realizada por crianças e adolescentes nos semáforos da cidade. Participe conosco e apoie a Fundação Abrinq no combate ao trabalho infantil.

Divulgue! Participe!

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Secretaria de Desenvolvimento Social de SG inaugura escola de boliche para alunos do Peti


A Prefeitura Municipal de São Gonçalo, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, inaugurou ontem a primeira escola de boliche da cidade. Com o objetivo de incentivar a prática do esporte, que é o segundo mais disputado no mundo inteiro, firmou parceria com o Playtoy, do Shopping São Gonçalo, e lançou o projeto “Boliche é esporte”, que possibilitará as crianças e adolescentes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) a prática da modalidade.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Social de São Gonçalo, Adolpho Konder, mais de 900 alunos desfrutarão do convênio. Na abertura do evento, 20 crianças do Peti do Jardim Catarina dançaram street dance e arrancaram aplausos do público.

“Queremos que elas tenham um futuro melhor e mais digno, por isso, buscamos parcerias para oferecer o melhor a essas crianças. Essa oportunidade renderá bons frutos e favorecerá a integração e a auto-estima de todos”, destacou o secretário.

Ontem, quando os instrutores ensinavam as regras e técnicas do esporte, o local de brincadeiras e descontração deu lugar aos olhares fixos e de concentração. Todos estavam ansiosos para pegarem a bola.

“Queremos motivar a prática do esporte e também poder dar a essas crianças a oportunidade de praticá-lo, o que dificilmente elas teriam se não estivessem incluídas nesse programa”, disse Neto Paiva, proprietário do Playtoy.

Para a coordenadora de Inclusão Produtiva da secretaria, Sandra Helena, essa foi uma das inúmeras outras parcerias que ainda serão fechadas, para beneficiar as crianças carentes do município.

“Eu nunca vi uma pista de boliche. Estou impressionada e muito feliz de poder participar do projeto”, disse a Rhayanne Monique Silva, de 10 anos.

O Peti atende crianças e adolescentes de 7 a 15 anos, encaminhados pelo Conselho Tutelar e pela Promotoria Pública, envolvidas com tráfico de drogas, abuso sexual dentro da família, que já trabalharam no lixão e em estado de insalubridade. Os jovens também são inseridos no Programa Bolsa Família e os pais fazem cursos de geração de renda.

O trabalho é desenvolvido em oito pólos que oferecem aulas de capoeira, jiu-jitsu, street dance, futsal, natação, judô, hip-hop, educação física, artes, atividades pedagógicas, coral, entre outros. Além desses projetos, as crianças também participam da orquestra de tambores reciclados.

Para participar do programa, as crianças têm que estar matriculadas em escolas públicas. Alem disso, as famílias participam de ações sócio-educativas. O Peti ainda fomenta e incentiva a ampliação dos conhecimentos das crianças com atividades culturais, desportivas e de lazer no período complementar ao do ensino regular.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social SMDS.


SÁBADO CIDADÃO ATENDE 3 MIL PESSOAS NO CAPOTE, EM SÃO GONÇALO

Mais uma edição do projeto Sábado Cidadão-Prefeitura Itinerante, da Prefeitura de São Gonçalo, ocorreu neste sábado (06/6) na Escola Municipal Heráclito Fontoura Sobral Pinto, no bairro do Capote. Diversos serviços estiveram à disposição do moradores do bairro, além de recreação para crianças. Cerca de três mil atendimentos foram realizados, sendo os serviços mais procurados o atendimento médico, a emissão de documentos e o cadastramento para programas sociais, como o Bolsa Família.Logo na chegada, no portão principal da escola, havia uma unidade móvel de atendimento dentário, também com boa procura. Houve ainda apresentações de artísticas promovidas pela Fundação de Artes de São Gonçalo (FASG), além de oficinas de pintura. Entre as autoridades que marcaram presença estiveram os secretários Henrique Porto (Trabalho e chefe de gabinete), Keyla Nícia (Educação) e Adolpho Konder (Desenvolvimento Social), além da subsecretária de Defesa do Consumidor, Suely Amaral e do vereador Capitão Nelson.A iniciativa foi aprovada pela população local. A dona de casa Morgana Cristina Marinho, de 22 anos, foi à escola para se inscrever no programa Bolsa Família e também para tirar sua própria certidão de nascimento. “É bom ter algo assim, que ajuda as pessoas e tão perto de casa”, exaltou ela.Segundo o superintendente de Projetos Especiais do Gabinete da Prefeita e coordenador do projeto, Sérgio Reimol, esta edição foi uma das mais procuradas deste ano. “A maior que tivemos foi em Maria Paula, mas esta aqui tem bastante gente também, o que mostra a nessecidade desses serviços”, ressalta Reimol. O Sábado Cidadão terá uma nova edição dentro de quinze dias, em local ainda a ser confirmado.

Tempo de estudo aumenta o salário, diz pesquisa

Levantamentos revelam relações diretas entre ensino e renda média.

Por Larissa Leiros Baroni

Segundo a pesquisa "Você e o Mercado de Trabalho", da FGV (Fundação Getúlio Vargas), a cada ano de estudo completado o salário dos brasileiros pode subir 15%. Além disso, as chances de arrumar emprego aumentam em 3,3% por ano de estudo finalizado. Os resultados da pesquisa evidenciam as relações entre educação e ascensão social. No entanto, para ampliar as possibilidades de ocupação e renda, é preciso investir além dos Ensinos Fundamental e Médio.
A importância do Ensino Superior, para a pró-reitora de graduação da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Maria Amélia Sabbag Zainko, vai muito além do diploma. "A universidade, ainda que capacite tecnicamente os futuros profissionais brasileiros, os preparam para o desenvolvimento social do País por meio da melhor percepção dos problemas que o acercam", diz ela. De acordo com a professora, são essas as características que garantem profissões melhor remuneradas. "Quanto maior o nível de escolaridade maior serão os ganhos", resume ela.
O estudo da FGV comprova isso. Ele indica que a taxa média de ocupação de uma pessoa que nunca estudou, por exemplo, é de 59%. Esse índice sobe para 90% quando se fala de brasileiros com 18 anos de estudo, o que inclui profissionais com mestrado e doutorado. A mesma teoria foi comprovada em relação à média salarial dos brasileiros. Apesar das jornadas de trabalho ser similares, as diferenças salariais podem chegar a R$ 4 mil. Enquanto quem nunca estudou recebe, em média R$ 392,14, aqueles que possuem título de mestre ou doutor ganham, em média, R$ 4.454,69.
O coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Néri, relata que os dados confirmam o chamado fenômeno de retornos crescentes. "Em geral, pessoas com baixa educação ficam presas à armadilha de que estudar pouco é suficiente. Isso é um equivoco", afirma o coordenador. Segundo ele, para alcançar altos retornos, é preciso percorrer toda a trajetória educacional. As maiores taxas de retorno da educação, segundo o coordenador, estão nas regiões com maior escassez de mão-de-obra qualificada. "No Nordeste, por exemplo, o índice de retorno é de 17% a cada ano de estudo. Já no Sul - região com o número maior de pessoas educadas - a média é de 12%", exemplifica.
Neri aponta a educação como principal porta de entrada para as classes de rendas mais altas. Mas, na opinião dele, a vantagem comparativa ainda está no Ensino Superior. "O acesso às universidades brasileiras é mais restrito do que em outros países da América Latina", afirma ele. Enquanto a taxa média de estudantes de 18 a 24 anos integrados ao sistema de educação superior na América Latina e no Caribe é de 24%, o Brasil mantém apenas 13,2% da população jovem na graduação. "Isso explica parte da desigualdade social no País", explica ele.
A ascensão social, no entanto, não está vinculada exclusivamente à renda. De acordo com a coordenadora do programa de pós-graduação em Sociologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Maria da Glória Bonelli, a mobilidade social também está relacionada ao grau de escolaridade e a ocupação do cidadão. "Dinheiro representa apenas condição de conforto, o prestígio na sociedade também pressupõe reconhecimento", explica a socióloga.
Fatores históricos
Ainda que o Ensino Superior seja significativo, o coordenador da FGV acredita que o retorno da educação representa duas corridas paralelas. De um lado, o número maior de brasileiros com acesso às escolas, com conseqüente aumento na oferta de profissionais qualificados. Do outro, maior demanda de mão-de-obra especializada por parte de empresas. "Nos anos 60, a corrida entre oferta e demanda de educação foi vencida pela demanda. O que justifica o fortíssimo aumento da desigualdade social no País. Já nos últimos sete anos, o sinal foi oposto: a oferta educacional tem vencido a demanda", explica Neri.
A história brasileira, de acordo com a coordenadora do programa de pós-graduação em Sociologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Maria da Glória Bonelli, também contribuiu para que a educação se tornasse potencial de acumulo de dinheiro, prestígio e posição. "A mobilidade na pirâmide social sofreu grandes transformações no decorrer dos anos, mas o fator que impulsionou essas transições sempre foi o Ensino Superior", afirma ela. "Na década de 70, por exemplo, a mobilidade social foi representada pelo fenômeno inter-geracional (de pai para filho). Com a urbanização do País, a corrida por profissionais qualificados foi grande. No entanto, apenas os filhos daqueles que já pertenciam aos grupos do topo da pirâmide tinham condições de freqüentar os bancos acadêmicos", conta a socióloga.
Com a expansão do setor no Brasil, no entanto, a mobilidade social mudou. "Como a industrialização não seguiu o ritmo da década de 70, a transição passou a ser circular", afirma Maria da Glória. Ou seja, para conseguir uma vaga no mercado de trabalho é preciso que alguém se aposente ou seja demitido. Segundo ela, a mudança também tem refletido no papel do Ensino Superior. A graduação, na opinião dela, é um requisito para que o brasileiro mantenha sua posição em relação ao topo da pirâmide social, sem se afastar ainda mais do ápice.
O acesso ao Ensino Superior, de acordo com Maria Amélia, também foi impulsionado pelas políticas governamentais de distribuição de renda e de atendimento. "Ações como Bolsa Família, por exemplo, ajudam a nivelar as oportunidades e diminuir desigualdades sociais. Elas propiciaram maior mobilidade entre classes B e C", aponta a pró-reitora da UFPR. Neri concorda. "Mesmo que ainda não seja suficiente, há programas que incentivam a inclusão de jovens de baixa renda na graduação, como o ProUni (Programa Universidade para Todos)", cita o coordenador da FGV.
A iniciativa já contribuiu inclusive para a ascensão social de muitos brasileiros, segundo aponta estudo encomendado pelo MEC (Ministério da Educação). A pesquisa indica que, para 80% dos profissionais formados com bolsas integrais do ProUni, o mercado de trabalho se abriu. "O nível de empregabilidade desses bolsistas aumentou 24%. A expansão foi ainda maior nas regiões Norte e Centro-Oeste, que registraram índice de crescimento de 33%", conta a diretora de Políticas e Programas de Graduação do MEC, Paula Branco de Mello, que aponta que 61% dos profissionais empregados atuam na área de formação. A pesquisa também comprovou que 68% dos beneficiados apresentaram aumento da renda familiar. Na região Nordeste, o índice foi de 70% e no Sul, 69%.
Por outro lado, a democratização do acesso, segundo Maria da Glória, diminui os privilégios proporcionados pelo Ensino Superior. "Quanto mais profissionais, maior a necessidade de partilhar o bolo de empregos e clientes", relata a socióloga. No entanto, a concorrência deveria estimular investimentos maiores na educação. "Para ganhar destaque, não se pode ficar restrito ao Ensino Superior", aconselha a professora da UFSCar. Os profissionais em busca de ascensão social, segundo Maria da Glória, precisam dominar idiomas estrangeiros, conhecer tecnologias da informação e até investir em pós-graduações.
Novas mudanças
Apesar de reconhecer o valor de ações afirmativas, como o ProUni, Maria Amélia acredita que elas possam causar dependência e emperrar o desenvolvimento dos beneficiados. "Bolsa não é trabalho, mas é um dos meios de acabar com a desigualdade no Brasil. Mas é preciso preparar as pessoas para que possam usufruir do seu trabalho", alerta ela.
A possível dependência dos benefícios, de acordo com Paula, foi desmistificada com a experiência dos próprios bolsistas. De acordo com os números do MEC, dos profissionais formados por intermédio do ProUni, 97% se mostraram motivados a seguir os estudos e embarcar na especialização, mestrado ou doutorado. "Além disso, o programa também serviu como instrumento motivador para a própria família", destaca a diretora do MEC, que aponta que oito de cada dez entrevistados dizem que a formação deles motiva e incentiva familiares a começar ou prosseguir nos estudos.
O grande desafio, para o coordenador da FGV, é conciliar a expansão do acesso à Educação Superior com a qualidade do ensino. "O consenso de que educação é o caminho para a transformação do Brasil já pode ser considerado um grande avanço em direção a esse objetivo", acredita ele. Segundo o coordenador, o PDE (Plano de Desenvolvimento Educacional) é um exemplo de que realmente há uma mudança de atitude na política social brasileira. "Se atingirmos as metas estabelecidas para 2021 já seremos um País muito melhor", garante.
Além disso, Neri aposta na construção de um bom sistema de crédito educativo. "Se o ensino gera diferencial, significa que as pessoas têm condições de obter financiamento e, depois de formada, pagar esse empréstimo para que outros usufruam do mesmo benefício", afirma. Para ele, o Fies (Programa de Financiamento Estudantil) não é suficiente. "É preciso pensar em soluções mais gerais, principalmente em relação à taxa de pagamento médio. Enquanto o Brasil se aproxima de zero, o Chile mantém índices próximos a 100%", compara o coordenador. "A economia do futuro será comandada pelos jovens de hoje. Portanto, temos que olhar para eles como parte da solução", afirma ele.
Prêmio Educacional por Estado - 2007
Taxa de ocupação / Salário
1 SC 73,80 DF 1878,71
2 PR 72,42 SP 1172,53
3 RS 72,14 SC 1100,45
4 TO 71,22 RJ 1094,12
5 PI 71,14 PR 1031,90
6 MS 71,09 AC 987,71
7 GO 69,17 RS 968,41
8 MT 69,15 MS 954,63
9 MG 69,11 MT 914,78
10 MA 68,05 GO 912,82
11 RR 67,75 RO 909,89
12 SP 67,46 AP 893,29
13 ES 67,08 ES 884,93
14 RO 66,21 AM 867,06
15 CE 66,21 MG 817,43
16 AC 66,09 RR 789,43
17 DF 65,74 TO 731,89
18 SE 65,45 PA 720,29
19 BA 65,14 AL 652,78
20 RN 65,00 RN 647,76
21 PA 63,24 SE 645,08
22 RJ 62,92 PB 609,69
23 PB 61,70 PE 596,93
24 AP 61,40 BA 579,93
25 PE 60,45 MA 554,26
26 AL 59,47 CE 529,76
27 AM 58,85 PI 490,25
Média 67,04 925,21
Fonte: CPS/FGV a partir dos microdados da PNAD/IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas)